A Itália enfrenta uma escassez estrutural de mão de obra em vários setores e, para tentar suprir parte dessa demanda, criou um sistema de cotas anuais para trabalhadores de fora da União Europeia — o chamado Decreto Flussi. Para quem sonha em trabalhar legalmente no país em 2026, entender como esse sistema funciona (e a vantagem extra que existe para descendentes de italianos) é o primeiro passo antes de procurar uma vaga.

O que é o Decreto Flussi

O Decreto Flussi é o instrumento que o governo italiano usa todos os anos para definir quantos trabalhadores estrangeiros de países fora da UE podem entrar no país para trabalhar, em quais setores e sob quais categorias de visto. Sem uma vaga dentro dessa cota, não é possível obter um visto de trabalho subordinado comum para a Itália.

O novo ciclo, o Decreto Flussi 2026-2028, foi aprovado por DPCM em 2 de outubro de 2025 e regulamentado pela Circular interministerial nº 8047, de 16 de outubro de 2025. No total, o programa prevê 497.550 entradas distribuídas ao longo de três anos. Só para 2026, o governo italiano vai liberar 164.850 permissões de trabalho.

A vantagem para descendentes de italianos

Aqui está a principal novidade para brasileiros: quem consegue comprovar descendência italiana e já tem um contrato de trabalho fechado com uma empresa na Itália pode solicitar o visto de trabalho subordinado fora do sistema de cotas do Decreto Flussi. Ou seja, não é preciso disputar uma das vagas limitadas liberadas todo ano — o pedido segue um trâmite próprio, sem teto de vagas para essa categoria específica de candidato.

Isso torna o processo de reconhecimento (ou pelo menos de comprovação documental) da ascendência italiana ainda mais valioso, mesmo para quem não pretende — ou não consegue mais, depois da reforma de 2025 — solicitar a cidadania completa. Ter os documentos que provam a linha de descendência já ajuda bastante nesse caminho alternativo de imigração por trabalho.

Como funciona o processo, passo a passo

  • Nulla Osta al Lavoro: o empregador na Itália solicita essa autorização prévia junto ao Sportello Unico per l’Immigrazione, comprovando a oferta de emprego;
  • Visto na Itália: com o Nulla Osta aprovado, o trabalhador solicita o visto de trabalho no consulado italiano no Brasil;
  • Entrada no país: com o visto em mãos, o trabalhador viaja para a Itália dentro do prazo de validade do documento;
  • Permesso di Soggiorno: após a chegada, é preciso protocolar o pedido de permissão de residência dentro de 8 dias úteis.

O que é o Permesso di Soggiorno

O Permesso di Soggiorno é o documento que autoriza a permanência legal do estrangeiro em território italiano depois da entrada com o visto. Ele funciona como uma espécie de “RG do imigrante” e é indispensável para tudo — abrir conta bancária, assinar contrato de aluguel, se cadastrar no sistema de saúde. O kit de solicitação costuma ser retirado nos correios (Poste Italiane), e o prazo para dar entrada depois da chegada é curto, por isso vale já ter os documentos organizados antes mesmo de embarcar.

Documentos que costumam ser exigidos

  • Passaporte válido;
  • Contrato de trabalho ou proposta formal de emprego;
  • Nulla Osta aprovado;
  • Comprovante de alojamento na Itália;
  • Documentação de descendência italiana (certidões traduzidas e apostiladas), quando for o caso de solicitar fora da cota.

Dicas práticas antes de embarcar

Antes de viajar, vale organizar o lado financeiro: muitos contratos de aluguel na Itália pedem caução equivalente a dois ou três meses, pagos adiantado, e a maioria dos proprietários prefere transferência em euros. Ter uma conta multimoeda como a Wise ou a Revolut facilita transferir o valor direto em euros, sem depender de câmbio de agência física e com taxas geralmente mais baixas do que as de um banco tradicional.

Também vale confirmar com antecedência se a sua profissão está entre as categorias priorizadas no decreto do ano (setores como construção, turismo, agricultura e cuidados costumam ter cotas maiores), e procurar uma assessoria especializada se a sua situação envolver descendência italiana, já que esse caminho fora da cota exige documentação bem organizada desde o início.

Conclusão

O Decreto Flussi 2026-2028 abre quase meio milhão de vagas de trabalho para estrangeiros na Itália ao longo de três anos, com 164.850 só em 2026. Quem tem descendência italiana comprovada e uma oferta de emprego já fechada tem um caminho ainda mais direto, fora do sistema de cotas. O processo passa por Nulla Osta, visto consular e Permesso di Soggiorno — vale começar a organizar a documentação com antecedência, especialmente se o seu caso envolver comprovação de ascendência.

Veja também no memigrei.com o nosso guia sobre cidadania italiana por descendência em 2026 e o levantamento atualizado do custo de vida em cidades como Roma, Milão e Florença.


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